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Para Sempre


Quando tinha 11 anos, escolhi esse poema para falar a minha mãe.
Nunca cheguei a declarar a ela. Ela ja  tinha falecido meses antes.
E o poeta, expressava exatamente o que sentia naquele momento.
Foram apenas 11 anos juntas. Hoje, depois de 30 anos, ainda esta na minha memória cada verso desse poema  e cada momento lindo que estive com ela. 
Sua alegria em nos apresentar para suas amigas, em comer gelatina  da casca do abacaxi, (ela ja reciclava naquele tempo), de seus pes inchados depois do trabalho duro, de seus conselhos para nos ,
de sua alegria quando podia comprar yakult e chocolate prestigio ( produtos de luxo-naquela ocasião).
Do primeiro Conga que nos deu para a aula de educação fisica, das roupinhas que costurava com o tecido mas 'fulero" para nos, das festas do dia da criança que nos levava so para que ganhássemos uma bonequinha de plástico, do seu carinho com o Duque  nosso cachorro, mesmo quando ele destruía as havaianas surradas dela, do frango assado e macarrão quase todo domingo,da dificuldade em ler (era analfabeta) e da insistência que nos falava da importância de estudar, dos sonhos que juntos sonhamos de termos uma casa própria, do cha de camomila que nos dava que tirava la do nosso quintal, e das margaridas que plantava em um vaso de barro e quando com flores, enfeitava nossa mesa, do perfume de alfazema que a ela lhe encantava usar e não da para não esquecer das chineladas no bumbum, quando minha irmã e eu aprontávamos alguma coisa. Bons tempos. Boas Memórias de uma sempre mãe.
Se você tem sua mãe pertinho:


... DESFRUTE, AME, CONSIDERE, RESPEITE e TODOS OS DIAS DE SUA VIDA AGRADEÇA A DEUS POR ESSE SER  ESPECIAL.


Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino

feito grão de milho.

http://letras.terra.com.br/carlos-drummond-de-andrade/460829/





78 anos


Ja passaram muitos anos
No seu colo queria deitar
Suas  mãos enrugadas 
Novamente segurar
Afagando seu olhar
Apoiando seu andar 
Queria um bolo fazer
Convidar a família
Os vizinhos,amigos
Com o sorriso te receber
No seu ouvido,
Baixinho falar
Do quão preciosa
Do quão valiosa
Foste para mim
Nos anos vividos
Que não terão fim

by Marli Camargo

 (in memoria  minha mae Maria Francisca
 que  completaria 78anos hoje )








MAE

OH Mae.!!!

Hoje e seu dia, e celebro e agradeco
a oportunidade de dar me a vida
Agradeco pelos tracos semelhantes
deixados na cor dos meus olhos,
Na alma doce, na fortaleza, no carinho
que sempre nos transmitiu.
Por ti homenageio as mamaes
Que sei nao e um papel muito facil
de cumprir
Mas como diz o velho ditado
Mae e morrer no paraiso
Para mim e muito mais
E nao dormir bem
E mesmo assim,
Madrugar para preparar as refeicoes
Organizar a casa para ter tempo com
a familia antes que elas acordem
e voltem a desorganizar de novo
E levar,buscar, trazer, agendar,
confirmar, dirigir, corrigir, gritar
Zangar se e dizer
"Nao sou sua amiga,Sou sua mae"
E ouvir as palavras amargas
Das adolescentes e controlar se
para nao dar umas palmadas
E segurar a s lagrimas e a voz
embarcada quando as exigencias
sao maiores que as peticoes
E abencoa-las diariamente
E nas noites em uma simples oracao
Dar lhes a mao e registrar a comunhao


Posted by Picasa

A NUVEM DO TEMPO



Espontáneamente, Barbara minha filha e eu decidimos pintar e comecamos a  lançar  tinta sobre uma tela de maneira que pudessemos expor  o que naquele momento surgia naturalmente e expressaria  nossos 'segredos' . Me permiti fugir da rotina nesse instante, quando fui  interrompida com o telefonema da minha querida irmã Marlene.
A surpresa e o sorriso iluminou  meu rosto e mesmo que ela não pudesse  ver, certamente podia  sentir a alegria ao falar  com ela.
Interessada em saber o que estava fazendo, perguntou e a resposta veio de imediato -   'arte'.  Ela com um suspiro e ar de quem lembrou de algo importante, me disse ..
 - Ma..., sabe que me veio a memoria um dia desses?  A mamãe, gostava muito de desenhar e pintar  flores, você se lembra?
E continuou.."Lembra-se quando ela desenhava no papel de pão e em um caderno, as flores com  galhos e folhagens grandes?
Lamentavelmente, custou me abrir a gavetas da memoria e encontrar esses momentos vividos com minha mãe, afinal são 30 anos de sua ausência. Marlene, ainda me dizia 
- Você 'puxou' a ela. e continuou...
- Se ela tivesse uma maquina fotográfica na época, iria  tirar fotos de flores e copiar -las.
Naquele momento a voz ficou embargada, mas consegui ainda dar um sorriso.
Era verdade, na velha casa germinada na Casa Verde, na rua Matilde, 777, sentada sobre o piso vermelho  brilhante, ao lado da porta, ela parava para descansar depois de um  árduo trabalho diário e buscava encontrar um  tempinho conosco. Enquanto disputavamos quem ia ficar do lado dela para ve la desenhar, ela calmamente chamava uma para sentar aos seus pés.
Quando não estava desenhando suas flores e tentando  nos demonstrar seu' conhecimento artístico' com as canetinhas da Bic, nos chamava para sentar se entre suas pernas e  aproveitando ficava olhando  nossas cabeças, para ver se não tínhamos piolhos.
Mas que ver ela desenhar e aprender as 'técnicas' acredito, que o desejo maior era ficar ao seu lado. 
Hoje me dou conta, que os papeis de pão, guardanapos, ou outra folha com os desenhos preciosos que ela fazia,  foram abandonadas  e jogadas em um espaço pequenino da memoria. Parece que não dei  muita importância aquilo.
Conversando com Marlene, essa gavetinha da memoria foi lentamente aberta e depois de eliminar o pó acumulados por tantos anos, os   momentos maravilhosos com ela, sentada na porta da sala com vista para um  pequeno corredor de flores mal cuidado e olhares para o Duque, nosso cachorro  vira-lata, vieram a tona.
Hoje, penso que  poderia fazer daqueles momentos mais especiais, mas não sabia que o tempo dela era tão curto ao nosso lado.
Não fiz... e hoje fica as saudades e as vagas lembranças.  A nuvem do tempo ocultou as memorias vivas e minha voz ficou embargada  quando já não podia lembrar com perfeição os detalhes que minha irmã descrevia.

As vezes na caixinha da memoria, os momentos lindos são guardados e depois sufocados, abarrotados com momentos menos favoráveis que a nuvem do tempo sopra e deixa acumular   o 'lixo' que preferimos guardar, deixando as gavetas infestadas quase impossíveis de serem abertas. 
Hoje, já não  tão criança na idade, mas com uma viva la dentro de mim, ainda estou aprendendo  a não deixar  muitas vezes o' lixo' da nuvem do tempo,acumular nas gavetas da minha memoria e tentar guardar  as coisas boas vividas com  os  relacionamentos que fazem parte  do nossa vida. Confesso que muitas vezespreciso de ajuda. 
Meu desejo  e que minhas filhas possam guardar nas suas gavetas o abstrato  e o concreto desses  momentos registrados na tela ou não e mais que isso,que aprendam não acumular  lixo sobre esses momentos pelos equívocos que como pais muitas vezes praticamos.
Mazinha..obrigada por abrir essa gaveta tão preciosa que estava tão escondidinha la na minha memoria.Te amo querida.
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